O dólar deixou de ser assunto só de exportador. Hoje, o lojista que vende cosméticos, eletrônicos, brinquedos ou até papelaria sente o câmbio pesar no custo da próxima compra — mesmo quando o produto é "nacional".

Por que o dólar chega até a sua loja

Estima-se que entre 40% e 60% dos produtos vendidos no varejo popular brasileiro tenham algum componente dolarizado: embalagens, matéria-prima, fretes marítimos, peças importadas. Uma alta de 5% no câmbio pode significar um aumento de 2% a 3% no preço de reposição do seu estoque em 30-60 dias.

O que fazer na prática

1. Precifique por reposição, não por custo histórico

Se você comprou uma caixa por R$ 500 e o custo de repor hoje é R$ 600, seu preço de venda deve refletir R$ 600. Muito varejista quebra por achar que lucrou quando, na verdade, está descapitalizando o estoque.

2. Trabalhe com faixas de preço, não valor único

Produtos com custo dolarizado merecem uma política de reajuste automático em janelas de 30 dias. Seu sistema de PDV deve permitir alterar margem por categoria com um clique.

3. Estoque estratégico em produtos críticos

Identifique os 10-15 SKUs que mais giram e comprometa uma parte do capital de giro em estoque protetor — desde que o custo de armazenamento compense.

Regra do ouro: sempre que o dólar subir 3% em uma semana, reveja a curva ABC do seu estoque. Produtos com alta dependência cambial precisam de atenção imediata.

Alertas cambiais no próprio PDV

Ferramentas modernas já permitem vincular uma cotação de câmbio diária ao custo de reposição. O Morpheus PDV, por exemplo, permite configurar margem mínima por categoria e alertas quando o custo do fornecedor sobe acima do teto.

No fim do dia, câmbio alto não é só problema: é filtro. Quem precifica certo mantém margem; quem paralisa, perde estoque. A escolha é sua — e ela começa no relatório de giro que você deveria estar olhando toda semana.